Tentação de Zaratustra
Ouço estridente o gemido do morto,
Do morto de espírito, defunto ambulante.
Buscando nos restos algum reconforto,
Espalhando o veneno contaminante.
Clama por graça, pois nada tem
E graça é fomento de covardia.
Da glória e da força se abstém
E o ídolo morto reverencia.
A pútrida carne é lazer de insetos,
E já esquecera o sabor do prazer.
Só resta-lhe o empecilho secreto:
Forçar o honroso a compadecer.
Compaixão é ardilosa patologia,
Às garras da injúria a pessoa entrega.
Eleva-te, do descaso alheio sorria,
E põe a fraqueza virosa por terra!
Autor: Cheirador de cu sujo