Putrefação objectual

Não há, neste mundo, palavras
Que expressem a realidade
Não há, neste mundo, estradas
Que levem-nos até a verdade.

A realidade é critério seguro
Pra medir o teor do funesto
Pois nela há nada de puro
Só horror, traição e incesto.

Não há o mundo falacioso
Da realidade externa e fixa
E o que há cá dentro é viscoso
E fede à fezes e tripas.

A mesquinhez da escrita é digna
De pertencer a alguém como eu
Com ela imprimo de forma explícita
O cheiro do sangue do deus que morreu.

Autor: Suicida comedor de merda